23 de mar de 2010

Águas de Mato Grosso abrigam espécies de peixe nunca antes catalogadas

Secom/MT Professor de ecologia da UFMT diz que substitutivo do zoneamento pode destruir nascentes e biodiversidade de rios.

No dia internacional das águas, o site TVCA traz uma entrevista que é um convite à reflexão. O que estamos fazendo com os rios do nosso estado? Francisco de Arruda Machado atualmente é Professor do departamento de botânica e ecologia do instituto de biociências da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Em 1997/1998 participou das campanhas de campo para coletar amostras de peixe e fazer um relatório científico para o projeto de Zoneamento Socioeconômico de Mato Grosso (ZSEE).
Durante dois anos ele percorreu mais de cinco mil quilômetros atrás de amostras nos mais distantes rios do estado. “Mapeamos tudo. Fomos até locais distantes como Panelas, rio Roosevelt, Cotriguaçu, São José do Xingu, mas também coletamos em grandes cidades como o rio vermelho, rio Paraguai e o Cuiabá”. O estudo de Francisco Machado, ou Chico Peixe, como é conhecido por alguns alunos, deu uma dimensão única sobre a biodiversidade dos rios no estado. Mas, como todos que participaram dos estudos do ZSEE, Chico está preocupado. Recentemente um substitutivo foi apresentado na comissão especial da Assembléia Legislativa e pode comprometer gravemente a frágil situação das nascentes do estado.
TVCA - O que o senhor achou do substitutivo apresentado pelo presidente da comissão especial, deputado Dilceu Dalbosco?
Chico - É necessário dizer que ele é de extrema irresponsabilidade. Carece de conhecimento técnico, não digo nem cientifico, apenas técnico. É um estudo de um grupo hegemônico que financia a campanha desses senhores, liderados durante todas as audiências por um grande lobby da Famato [Federação da agricultura e Pecuária de Mato Grosso] *. Ele é irresponsável também porque agride de forma brutal todas as cabeceiras formadoras das vertentes amazônicas e platinas. Acho que nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Se a gente precisa plantar, então que plantemos em terras que são improdutivas. Temos que pensar nos nossos outros recursos naturais, que são extremamente importantes para o homem. Peixes, por exemplo, é um recurso natural de fácil acesso, barato, de proteína de alta qualidade e nobre. Nós deveríamos preservar. E a gente não preserva. Existe toda uma história de evolução da terra e nós temos privilegio de ter aqui cabeceiras amazônicas e platinas, lugares com grande quantidade de peixes endêmicos que são espécies restritas que ocorrem somente nesses locais. Isso é de extrema riqueza. Quanto tempo vamos demorar para descobrir isso?
TVCA - Como você avalia as condições atuais dos rios no estado?
Chico - Tem piorado muito. O próprio rio Cuiabá é um exemplo, com todas essas cidades nas suas margens colocando esgoto in natura, sem tratamento nas águas. Sem contar a imensa quantidade de resíduos sólidos jogados diariamente. Além disso, o nível de assoreamento em decorrência da falta de vegetação ciliar é muito grande. Por isso as enchentes hoje são piores. Qualquer chuvarada transborda o rio. Essa questão do assoreamento é muito grave. A vegetação ciliar, como o próprio nome diz, funciona como o cílio dos olhos, protege o rio de resíduos de toda espécie. Se você desmata e tira essa proteção, o olho seca, suja, o rio fica vulnerável e o vento carrega areia, terra e outros resíduos, e o fundo do rio levanta a lâmina d’água.
TVCA - Pelo modelo atual, se não fizermos nada, qual é o futuro dos nossos rios e peixes?
Chico - Eu vou dar o exemplo da represa de Manso pra você entender. Poderíamos pensar que Manso seria o grande coletor de toda a água nobre das cabeceiras daquela vertente pantaneira. Mas como ele foi todo ocupado no seu entorno e você não tem fossas adequadas, então toda essa água nobre que vem das cabeceiras vai virar uma gigantesca poça de coco e xixi. Sem contar toda vegetação original que foi inundada no processo de represamento e está sendo destruída embaixo d’água. Hoje essa água já é de péssima qualidade. Então, como você pode ver, se destruirmos as cabeceiras, na realidade estamos destruindo um bem natural que não é renovável. Diferente do que as pessoas pensam, a água não é um recurso renovável. A gente está sujando toda essa água, está perdendo a qualidade dela. Isso quer dizer que no futuro, pra matar a sede, a gente vai brigar por um copo d’água.



Rio Xingu, no coração do Estado. Foto: Secom/MT


TVCA - Durante a coleta em campo vocês descobriram muitas espécies novas. O que isso significa? Isso quer dizer que em pleno século XXI a gente ainda não conhece inteiramente nossos rios?
Chico - É como se a gente tivesse na nossa população um monte de crianças que nasceram e não foram registradas em cartório, não tem nome formal. Nesses lugares, coletando nas regiões das cabeceiras, principalmente em locais de cachoeiras, estamos descobrindo uma vida aquática, principalmente de peixes, nunca antes estudas. Qualquer riachinho de cabeceira do estado de Mato Grosso você acaba descobrindo uma, duas, três, meia dúzia, ou, em alguns casos extremos como em Dardanelos e Culuene, duas dúzias de espécies novas. É uma quantidade significativa. E quando falamos de espécies novas, não estamos falando de peixes pequenos. Estamos falando de tipos de peixes grandes, como Pacu, Bagre, importantes para a população ribeirinha e que a gente não conhece ainda ou pelo menos não tem nome formal na ciência.

TVCA - Como o mapa do substutivo apresentado pela comissão prejudica as nascentes dos rios do estado?
Chico - Na realidade prejudica a biodiversidade como um todo. Ao classificar áreas de nascentes como próprias para agricultura mecanizada, isso vai destruir um enorme efetivo de plantas que tem nesses locais que são extremamente importantes. A vegetação regula a temperatura para que essas nascentes continuem vivas. Ao destruir esses locais, não só você acaba com as plantas, como também mata os animais que estão lá. A conseqüência é a continuidade do índice de assoreamento muito grande. Notadamente você pode ver esse aporte nas cabeceiras. Como os plantios no rio São Lourenço.

* Em nota a Famato se manifestou sobre o comentário do professor. Segue o documento na íntegra:

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) participou efetivamente da mobilização para as audiências públicas que trataram do Zoeamento Socioeconômico Ecológico. A Federação tomou conhecimento do projeto de substitutivo do deputado Alexandre Cesar, que já trouxe avanços em relação ao projeto de lei do poder executivo, porém, não tem conhecimento do substitutivo do projeto apresentado pelas lideranças partidárias. Neste sentido, o presidente da Famato Rui Prado encaminhou ofício ao presidente da comissão especial do Zoneamento Dilceu Dal Bosco, solicitando a apresentação do referido substitutivo ás lideranças do setor produtivo rural, o que, até o momento não aconteceu.

Fonte: http://rmtonline.globo.com/noticias.asp?n=484624&p=2

3 comentários:

  1. Aeeewww, Callorii!!!!
    Eu não gosto de pescaria não, viu? Sou vegetariana e defensora dos animais! rsrsrs

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  2. EU GOSTO MUITO DE PESCAR NO TELES PIRES INCLUSIVE SABADO 21/ABRIL E ONTEM 22 ESTIVE AS MARGENS DO RIO PESCANDO E COMO GOSTO DE UM PEIXE DE COURO E A MUITO TEMPO ESTOU INTRIGADO COM UM ESPECIME QUE VOLTA E MEIO PEGAMOS NO PERIODO NOTURNO

    DESCRIÇAO: PEIXE MOLE SEM ESCAMAS O MAIOR QUE JA VI FOI N FAIXA DE UNS 25CM DE COMPRIMENTO
    FORMATO ARREDONDADO EM UM CORTE TRANSVERSAL DEPROVIDO DE DENTE MAS SUA BOCA LEMBRA A BOCA DE UMA TARTARUGA SEM DENTES MAS UMA ESTRUTURA OSSEA E MUITA FORÇA NA MANDIBULA
    OBSERVANDO OS OLHOS DO MESMO IMAGINO SER CEGO OU QUASE POIS SAO OLHOS MUITO PEQUENOS MAIS PARECE DOI PONTOS QUE VEM SE ATROFIANDO

    CORPO MUITO LISO E QUANDO PEGAMOS ELE SOLTA UM LIQUIDO MAIS LISO AINDA E MUITO PEGAJOSO NA MAO

    LEMBRA UM POUCO PEIXES QUE ENCONTRA EM CAVERNAS DESPROVIDA DE LUZ

    SEMPRE PEGUEI PEIXES PEQUENOS DESTA ESPECIE E ACHAVA QUE SERIA FILHOTE DE ALGUMA OUTRA ESPECIE MAS DEPOIS COMECEI A PEGAR MAIORES E SEMPRE DO MESMO TIPO NADA MUDAVA

    PROCUREI EM ALGUNS SITES SE CONSEGUIRIA VER ALGUMA INFORMAÇAO SOBRE O MESMO E NADA

    OS PESCADORES DA REGIAO DIZEM QUE NAO PRESTA PRA COMER QUE É VENENOSO

    AI JA NAO SEI NA DUVIDA MELHOR NAO BANCAR O BESTA HEHEHEH

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    1. Rapaz, não seria o peixe palmito?

      http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTAvq83yDAp_s3LZzkCL85j3RhtBxyoxyW0BgY5nX-EG1OeANwYpin-tGUvuw

      Tem quase todas as características que você me falou e ja me falaram que ele era venenoso mas era pura lorota.

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